Recebi hoje este texto por e-mail, mas não faço
a mínima ideia de quem é o autor! De qualquer forma, adorei!
Imagem do wikipedia.com
“O
que significa "No frigir dos ovos"?
Não é à toa que os estrangeiros acham nossa
língua muito difícil.
Como a língua portuguesa é rica em
expressões!
Veja o quanto o vocabulário
"alimentar" está presente nas nossas metáforas do dia-a-dia. Aí vai.
Pergunta:
- Alguém sabe me explicar, num português
claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no
frigir dos ovos"?
Resposta:
- Quando comecei, pensava que escrever
sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar.
Só que depois de um certo tempo dá crepe,
você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas
mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra
descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as
pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se
conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando
em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo é preciso tomar cuidado para não
azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter
consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o
seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos. Há quem
pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao
pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha,
são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina
de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa,
com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na
batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam
no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai
com cara de quem comeu e não gostou. O importante é não cuspir no prato em que
se come, pois quem lê não é
tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é
a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os
olhos,
literalmente. Por outro lado se você tiver
os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de
caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai
colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que
você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é
refresco...A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir
plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a
fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.
Se embananar, de vez em quando, é normal, o
importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua
sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer
rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
Entendeu o que significa “no frigir dos
ovos” ?”
